A história do site Tudo sobre Plásticos

Hoje vou escrever em primeira pessoa, pois a história desse site se confunde com parte da minha, o cara por trás de tudo: Daniel. Se você tiver paciência para ler tudo e quiser dar sua opnião ou contar um pouco da sua experiência com plásticos deixe seu comentário ao final da página!


Meu primeiro contato com os plásticos na indústria foi por volta de 1999, 2000... Quando meu pai tinha um caminhão pequeno e fazia carretos de todo o tipo, incluindo transporte de plástico para moagem e granulação. Eu via o pessoal queimando e cheirando material, e não entendia nada. E continuei sem entender durante um bom tempo.

Me interessei por mecânica, mais especificamente na parte de projetos. Fiz um curso técnico nessa área, mas a pouca idade e a falta de motivação não me fizeram ir atrás de um estágio. Além disso, a internet ainda engatinhava e entregar currículo de outra forma que não fosse pessoalmente era vista como preguiça, o que dificultava as coisas para mim porque estudava de manhã e à noite, sem contar que também estava naquela fase do alistamento militar, onde no final acabei servindo ao Exército.

Ainda durante a fase de alistamento eu tive a oportunidade de escolher se queria servir como soldado ou como aluno (futuro aspirante-a-oficial), e logicamente seria mais interessante entrar como aluno, mas para isso eu precisaria estar cursando um curso superior, qualquer um.

A falta de dinheiro me impedia de fazer engenharia mecânica, que era o meu sonho na época, então acabei procurando na faculdade pública mais próxima da minha casa o curso que fosse mais próximo de mecânica, e acabei encontrando o de “produção com ênfase em plásticos” na FATEC/ZL. Como ainda existia o risco de eu não passar no vestibular, escolhi o horário da tarde, onde a concorrência era de pouco mais que 6 candidatos por vaga.

Consegui passar no vestibular e comecei a frequentar as aulas, mas reprovei na entrevista da seleção de alunos do Exército e acabei servindo como soldado mesmo. Os alunos saíam ao meio-dia, já os soldados só saíam do quartel após as 16h, o que me obrigou a abandonar o curso de produção com ênfase em plásticos.

Três anos depois, já fora do Exército, eu prestei o vestibular novamente e voltei a fazer o curso. Acabei reprovando o primeiro semestre por motivos que não cabem serem explicados aqui e, quando o refiz, a grade do curso sofreu modificações e ele se transformou em “produção de plásticos”, mais específico e melhor, na minha opinião.

No segundo semestre do curso eu arrumei um estágio numa empresa que revendia resinas plásticas novas e recicladas. Não vou citar o nome dessa empresa, e se você continuar lendo vai entender o porquê.

No local onde essa empresa funcionava na verdade existiam 3 empresas: uma que revendia plásticos granulados, uma que produzia compostos de PTFE e uma que produzia fitas veda-rosca. As três eram do mesmo dono e, se juntássemos os funcionários das 3, o número não chegava a 20. O pessoal de vendas era separado e os funcionários do financeiro trabalhavam para as 3 empresas. O pessoal do chão de fábrica, apesar de cada um trabalhar para uma, sempre acabavam “quebrando galho” para as 3, que era o meu caso também.

Lá eu era estagiário em assistência técnica, então acompanhava tryouts, ajudava o cliente quando tinha dificuldade para injetar um material, acompanhava testes no laboratório etc. Mas também fazia muita coisa que não tinha nada a ver com o estágio, como por exemplo, levar o carro do diretor pra fazer vistoria, buscar e levar correspondência, fazer entrega de material, ir em banco, levar vendedora pra visitar cliente e muitas outras coisas que não me recordo agora.

Depois de uns 6 meses, o orientador do meu estágio saiu da empresa para ir trabalhar num concorrente, e eu acabei assumindo a responsabilidade que era dele, mas ainda com o "salário" e a condição de estagiário. Isso foi um grande desafio para mim porque além da saída do meu chefe e minha pouca experiência, eu ainda tinha que lidar com a falta de estrutura da empresa, que só tinha um determinador de ponto de fusão (que era um ferro de passar roupas de ponta cabeça) e outro de umidade. Soma-se a isso o fato de que a produção era toda terceirizada, o que dificultava no controle de qualidade do material que era comprado para revender, e que constantemente dava problema no cliente. A única máquina que tínhamos a disposição era um ribbon blend que a gente usava para misturar materiais já granulados.

Se por um lado minha vida se tornou desafiadora lá dentro, por outro eu aprendi muito com essas dificuldades, porque tive que comprar livros e aproveitar as aulas da faculdade ao máximo. O ganho de conhecimento ficou evidente (modéstia a parte) e minhas colegas vendedoras pediram que eu preparasse um treinamento para elas, coisa que eu fiz e que foi muito gratificante para mim. Me senti tão bem produzindo o material do treinamento, e vendo as pessoas saindo da sala com um conhecimento a mais, que resolvi disponibilizar o conteúdo do meu treinamento na internet, em uma plataforma de sites gratuitos chamada HDFree, que não existe mais. A resposta do público foi animadora e por isso fui ampliando e melhorando os artigos naquele site que até então mal tinha nome.

Mas infelizmente essa empresa em que eu estagiava não dava muito lucro ao diretor, que se preocupava muito mais com a “galinha dos ovos de outro” que era a empresa de PTFE, então não havia investimento nenhum, o que até aí era direito e opção dele. Então a empresa de plásticos se resumia a mim, a um número de vendedoras que variava entre 2 e 5 (maioria estagiárias) e os funcionários da expedição, que eram uns 3.


Por causa da falta de comando na empresa, se formavam panelinhas entre os funcionários (principalmente vendedoras), ocorria muita fofoca e muitas decisões eram tomadas mais por questões pessoais do que profissionais. Vendedoras com potencial eram demitidas enquanto as ruins, que tinham amizade com as mais influentes, permaneciam lá.

Após 1 anos mais ou menos da saída do meu chefe, o diretor resolveu colocar um substituto. Mas para não gastar muito dinheiro com um profissional ele resolveu promover a vendedora mais antiga, que por sinal era a que mais causava intriga no departamento e a única com quem eu tinha atritos. E justo nessa época eu estava tentando me tornar também um vendedor técnico, aproveitando meu tempo livre ali dentro, e isso causou um incomodo nessa que era agora a encarregada de vendas.

Essa mulher era totalmente insegura, e morria de medo que alguém se destacasse no departamento. Ela simplesmente me proibiu de fazer o meu trabalho. Eu não podia mais fazer assistência técnica em clientes, fazer testes no laboratório, entre outras coisas. O diretor era bem inacessível. Falar com ele era como falar com o presidente da república, porque ele era ocupado demais com seu conglomerado de 3 empresas e não tinha tempo para falar com seu gigantesco número de 20 funcionários. Mesmo quando dava atenção para alguém era daquela forma, olhando para o horizonte ou para a tela do computador, como se ele fosse importante demais para olhar ao menos na sua direção. Para você ter uma ideia, certa vez ele demitiu um funcionário que suspirou quando recebeu uma ordem para retirar um saco de material que estava no chão e colocar no pallet. Então imagine o medo que todos tinham dele.

Mesmo assim consegui agendar um horário com ele e contei da maneira mais resumida o que estava acontecendo, onde ele disse para eu ter paciência pois a encarregada era inexperiente.

Resumindo, virei um mero "quebrador de galho", até que certo dia não aguentei a pressão e me desentendi seriamente com ela e fui mandado pra casa. O diretor estava viajando e só ficou sabendo quando voltou. Saí com uma mão na frente e outra atrás, sem nenhum tipo de indenização, depois de 2 anos de estágio. Ao menos tiveram o bom senso de me pagar os 11 dias restantes que faltavam para fechar o mês.

Minha saída dessa empresa me deixou bem chateado, apesar dos problemas que eu vinha enfrentando nela. Deixei o site de lado e só não o cancelei porque eu realmente não tinha nenhum custo para mantê-lo no ar por estar numa hospedagem gratuita. Meu foco naquele momento era apenas arrumar um emprego.

Foi quando fui chamado para uma entrevista numa empresa chamada Ambiental Recicladora, a qual encontrei um email de contato num anúncio de venda de sucata de um site qualquer e enviei meu CV. O nome e a distância dessa empresa não me animaram tanto assim, mas voltei da entrevista praticamente empregado.

A Ambiental foi uma escola para mim, lá eu tive um contato mais próximo com o plástico, desde a separação até a granulação e injeção. Além da análise do material e desenvolvimento de produtos, com ajustes de cor e de aditivos. Conheci muita gente legal, desde o diretor até a menina mais nova que separava materiais, e só saí de lá porque realmente era muito cansativo rodar os 50km entre a empresa e minha casa, e mesmo assim, passei 3 anos e meio ali. Mas foi o que me motivou a não só continuar com o site, como ampliá-lo e transformá-lo num site profissional, e muito do conhecimento que apresento aqui devo principalmente a Ambiental e ao seu diretor, o Sérgio.

Da última vez que conversei com o diretor da Ambiental a empresa estava muito bem, e realmente desejo que ela cresça, pois eles realizam um trabalho de muita qualidade. Quanto a outra empresa, eu sei que faliu e mudou de nome várias vezes, mas não faço a mínima ideia se ainda existe. Se existe, não desejo mal, pois de certa forma também tirei aprendizados de lá e fui demitido no momento certo.

E foi assim, em meio a momentos bons e ruins que o "Tudo sobre Plásticos" nasceu e cresceu, chegando atualmente a uma média de 30.000 usuários/mês (até maio/2017), 30 mil motivos para continuar melhorando a cada dia!


Artigo postado em 07/06/2017
Sobre o autor: Daniel Tietz Roda é Tecnólogo em Produção de Plásticos formado pela FATEC/ZL e Técnico em Projetos de Mecânica pela ETEC Aprígio Gonzaga. Trabalhou na área de assistência técnica e desenvolvimento de plásticos de 2008 até 2013 e atualmente é proprietário do Tudo sobre Plásticos.
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