Conheça a bicicleta feita com garrafas de PET

Ao usar plástico na fabricação dos quadros das bicicletas, a Muzzicycles reduz o consumo de água e energia que normalmente é gasto com os minerais

22/08/2017


"Desde pequeno eu andava de bicicleta e tinha a ideia de que seria possível fazer uma bike de plástico que fosse acessível a todo mundo", diz Muzzi


Talvez tenha sido a formação acadêmica em engenharia mecânica aliada a princípios artísticos a responsável por influenciar o uruguaio Juan Muzzi, 70, a se afeiçoar tanto por funcionalidade e estética. Ou, quiçá o interesse do uruguaio nascido na cidade de Canelones tenha surgido muito antes, no lar em que cresceu, já que sua família trabalhava com esculturas e ele ajudava no serviço quando era menino. O fato é que toda essa bagagem deu recursos para que Muzzi fabricasse muitos objetos de diferentes funcionalidades ao longo de sua vida, mas nenhum deles lhe faz sentir tanto orgulho com as bicicletas Muzzicyles, veículos que confecciona desde 2013 com garrafas plásticas.


Em 1970, aos 21 anos de idade, o uruguaio veio ao Brasil e se estabeleceu em Porto Alegre (RS). “Mas o frio ali era impossível”, afirma Muzzi, que decidiu, então, migrar para a capital paulista, onde atualmente mantém sua fábrica. Ali ele já criou tênis de rodinha, tênis com luzes e molas. Em 2013, ele começou seu projeto mais ambicioso de fabricar quadros de bicicletas produzidos a partir de plástico. “Desde pequeno eu andava de bicicleta e tinha a ideia de que seria possível fazer uma bike de plástico que fosse acessível a todo mundo”, diz Muzzi.

Porém, essa invenção não foi tão simples de ser implementada. A ideia, que surgiu em 1998, exigiu 15 longos anos de estudo e um investimento de R$ 5 milhões de dólares para sair do papel e ganhar a forma. E o uruguaio garante: o quadro de plástico aguenta o tranco. Ainda não acredita? A Muzzicycles assegura garantia vitalícia em cima da peça.

O processo de transformar garrafas pet e outros produtos de plástico em um “corpo” de bicicleta é simples: o plástico é triturado até virar um amontado de grãos. A esses resíduos são adicionados aditivos químicos para deixá-los resistentes. Posteriormente, essa mistura é depositada em uma máquina injetora e colocada no molde. A próxima e última etapa consiste em resfriar o produto. Pronto, ele já pode ser equipado com rodas, aros, banco e outras peças para virar uma bicicleta completa.


Com 5kg de plástico, a Muzzicycles produz uma unidade de bicicleta, que tem um custo de, em média, R$ 800


“Esse procedimento de usar plástico como matéria-prima para construir a bicicleta é sustentável. Enquanto uma unidade de quadro de bicicleta construído com minerais (como ferro, bauxita, alumínio, etc) consome, em média, 1.000 litros de água e 2.000 KW de energia para ser fabricado, o quadro de plástico não gasta água e consome apenas 6.8 KW”, afirma o idealizador do projeto. Outro benefício que o planeta ganha com a invenção é uma redução na produção de CO², além de criação dar um novo destino aos materiais plásticos, que demoram cerca de 100 anos para serem decompostos.

Com 5kg de plástico, a Muzzicycles produz uma unidade de bicicleta, que tem um custo de, em média, R$ 800. Nesses 4 anos no mercado, mais de 10 mil modelos dos veículos foram produzidos e entregues em todas as regiões do Brasil e até em outros países – a Colômbia é o maior consumidor do negócio.

Como a empresa não tem estoque e compra os materiais por atacado, atualmente, há 200 pessoas na fila aguardando por uma Muzzicycles. Justamente por isso, o fundador está buscando investidores para ampliar a capacidade de produção do projeto e torná-lo mais acessível financeiramente. “Minha ideia é que as bicicletas sejam popular e todo mundo possa ter uma”, diz Muzzi.

Mas engana-se quem pensa que o projeto do ambicioso senhor uruguaio está concluído e finalizado. “Agora estou estudando como criar um quadro de bicicleta que seja plantável, feito de biomassa. Assim, quando o indivíduo não quiser mais o produto, poderá plantá-lo e ele será absorvido pela natureza, crescendo como uma planta. A ideia é dar continuidade à energia circular. Esse projeto não foi feito para uma geração em especial, mas para a espécie humana”.

Fonte: Pequenas Empresas & Grandes Negócios (09/08/2017)




Fórum debate Economia Circular do Plástico

19/09/2017


Luiz Henrique Hartmann destaca uma nova consciência para o tema


A Nova Economia Circular do Plástico será o tema central do Fórum Brasileiro de Reciclagem Energética de Resíduos Sólidos com Ênfase em Plásticos - Energiplast 2017. O evento anual, que chega a sua oitava edição, ocorrerá no dia de 26 setembro, no Centro de Eventos da na Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), promovido pelo Sindicato das Indústrias de Material Plástico do Estado (Sinplast), por meio do Comitê de Reciclagem.


De acordo com Luiz Henrique Hartemann, coordenador do Comitê Sinplast de Reciclagem a Nova Economia Circular do Plástico, trata-se de um conceito desenvolvido a partir da Fundação Ellen MacArthur, o qual define que os produtos não devem ter uma única aplicação e descartados no final. Eles têm de seguir uma sistemática de recirculação, reaproveitamento, como o que vem ocorrendo com metais, papel e papelão e outros.

O grande debate, segundo Hartemann é importância do reaproveitamento. "O Fórum cumpre igualmente o papel de conscientização para sustentabilidade do planeta e o legado para as gerações futuras." Neste aspecto, alerta para o modo como as pessoas devem agir para reduzir impactos sobre o meio ambiente. Diz que, no Brasil, grande parte do lixo ainda apresenta muita quantidade de plástico misturado a produtos orgânicos. O descarte, em lixões, representa uma riqueza posta fora. Ele palestrará sobre a Nova Economia Circular do Plástico.

A programação inclui, o painel "Os passos necessários para avançar na implementação da política nacional de resíduos sólidos", com abordagem do Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul, por intermédio de Ana Marchesan - Promotoria de Justiça de Defesa do Meio Ambiente de Porto Alegre e do Ministério do Meio Ambiente, com Zilma Maria Faria Veloso, diretora do Departamento de Qualidade Ambiental de Resíduos e Codema - Conselho de Meio Ambiente da Fiergs, com Thiago José Pereira Neto. Mário Saffer, sócio-diretor da Engebio será o moderador deste painel.

Outro tema abordará o "Aproveitamento do rejeito da reciclagem de plástico como combustível na indústria cimenteira", com Alaim Silva de Paula - gerente-geral AFR-Combustíveis Alternativos e Matérias-primas - Grupo Votorantim Cimentos. Na sequência, "Ecoparques para Valorização de Resíduos e Recuperação Energética", com ação bem-sucedida na Unidade de Recuperação Energética de Barueri, em São Paulo. A palestra será com Alexandre Citvaras, do Grupo Foxx-Haztec (SP). Será assunto também as "Pequenas unidades de separação semiautomatizadas de resíduos sólidos urbanos para municípios e consórcios", com Luciano Coimbra do Grupo Sowaste-RJ. Outros temas constam do Fórum. O evento tem o patrocínio da Braskem e do Sindiatacadista-RS e o apoio da Fiergs e do Instituto Plastivida. Local: avenida Assis Brasil, 8.787, em Porto Alegre. As inscrições pelo blog, https://energiplast.wordpress.com/.

Fonte: Jornal do Comércio (18/09/2017)


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