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O EFEITO DOS CONTAMINANTES DURANTE A RECICLAGEM

 

Numa empresa de reciclagem, em um sucateiro ou na separação de refugos ainda no transformador, pode ocorrer contaminação com outros plásticos durante o processo. Mas nem sempre a contaminação deve ser motivo de grandes preocupações, pois desde que o contaminante seja da mesma família do polímero principal e a proporção não ultrapasse cerca de 8% (apenas uma referência) não haverá grandes alterações no processo.

No caso de plásticos de famílias diferentes, deve-se observar características do contaminante como temperatura de processamento, fluidez, resistência mecânica e principalmente sua estrutura química. O polietileno, por exemplo, se dá bem com uma boa parte dos outros termoplásticos devido a sua estrutura química simples e seu fácil processamento. Inclusive pode ser usado como polímero-base para produção de masterbatch de uso geral (aplicado em diferentes tipos de plásticos). Já o poliacetal, não se dá bem com praticamente ninguém devido ao oxigênio em sua estrutura, a sensibilidade a degradação e a alta fluidez.

A tabela abaixo serve para dar uma idéia do efeito que cada contaminante causa no polímero em que se está trabalhando, sendo baseada na experiência industrial e no conhecimento teórico. A partir dela podemos analisar se vale a pena ou não rodar na extrusora um moído com contaminação entre 5 e 8%.

Efeitos dos contaminantes em plásticos

POLIETILENO (PE)

Como base: não funciona bem como “matriz” para outros termoplásticos, já que sua baixa temperatura de processamento não permite que uma contaminação com plásticos de ponto de fusão maior seja dispersa na massa polimérica.

Como contaminante: não costuma causar grandes problemas, com exceção dos estirênicos que perdem o brilho, resistência mecânica e apresentam manchas quando contaminados com poliolefinas como o PE. No poliacetal causa copolimerização, dando algumas propriedades positivas ao material; enquanto nas poliamidas, melhora o aspecto visual camuflando a fibra de vidro embora sacrifique propriedades mecânicas.

 

POLIPROPILENO (PP)

Como base: aceita bem seu irmão polietileno e dependendo da fluidez (para injeção) ainda aceita o mal-cheiroso poliacetal. De resto, se comporta como o polietileno.

Como contaminante: assim como o PE causa mais problemas em estirênicos, mas não é aceito tão bem no poliacetal ou nas poliamidas.

 

POLIESTIRENO (PS)

Como base: não aceita plásticos que não sejam de sua família (estirênicos) e tem sua resistência ao impacto melhorada quando contaminado com PSAI, SAN ou ABS.

Como contaminante: possui grande capacidade de estragar a maioria dos polímeros não-estirênico presentes na tabela acima. Aumenta o brilho e facilita o processamento de qualquer outro estirênico, em contrapartida aumenta a rigidez podendo deixar o material quebradiço.

 

POLIESTIRENO DE ALTO IMPACTO (PSAI)

Como base: não aceita plásticos que não sejam de sua família (estirênicos). Quando contaminado por PS pode perder seu objetivo que é de ter uma resistência ao impacto maior, e quando contaminado com o SAN pode adquirir propriedades próximas ao ABS.

Como contaminante: causa o mesmo estrago que o PS comum em polímeros não-estirênicos, mas não provoca grandes alterações no ABS ou no SAN.

 

ESTIRENO-ACRILONITRILA (SAN)

Como base: não aceita plásticos que não sejam de sua família (estirênicos). Quando contaminado com PS pode ficar quebradiço e quando contaminado com o ABS perde sua translucidez.

Como contaminante: causa o mesmo estrago que o PS comum em polímeros não-estirênicos; no ABS e PS melhora sua resistência térmica e química.

 

ACRILONITRILA-BUTADIENO-ESTIRENO (ABS)

Como base: não aceita plásticos que não sejam de sua família (estirênicos). Quando contaminado com PS ou SAN perde resistência ao impacto, porém ganha brilho e com o SAN tem sua resistência térmica e química melhorada.

Como contaminante: estraga o PE e o PP, aumenta a resistência mecânica dos outros estirênicos e pode ser blendado com o PC, o PBT e as PA’s.

POLIACETAL (POM)

Como base: aceita bem o polietileno, formando um copolímero; masterbatches com base em PP também podem ser usados no poliacetal em algumas aplicações. Não aceita de forma alguma os polímeros estirênicos.

Como contaminante: inutiliza qualquer termoplástico, sendo necessária uma separação rigorosa dos materiais antes da extrusão ou injeção.

 

POLI(TEREFTALATO DE BUTILENO) (PBT)

Como base: aceita os estirênicos, inclusive é comumente blendado com o ABS e também forma blenda com o PC. Existem pesquisas de sua blendagem com as poliamidas, porém sua produção é complicada, necessitando de compatibilizantes e não é de interesse industrial.

Como contaminante: o problema maior da contaminação com o PBT é seu alto ponto de fusão (~223°C), acima da maioria dos termoplásticos da tabela.

 

POLICARBONATO (PC)

Como base: aceita blendas com o ABS, o PBT e as PA’s. Sendo muito usada a blenda ABS/PC na indústria automobilística.

Como contaminante: estraga as poliolefinas e os estirênicos. Pequenas quantidades do PC no ABS durante a extrusão se acumulam na tela devido ao ponto de fusão mais alto, causando aumento de pressão no canhão da extrusora. Para a maioria das aplicações das poliamidas a contaminação por PC não causa grandes problemas desde que a mistura base-contaminante esteja bem homogenizada.

 

POLIAMIDAS 6 e 6.6 (PA)

Como base: não aceita de forma alguma o poliacetal e apresenta problemas ainda durante a extrusão se contaminado por PBT (estouro dos espaguetes). Também pode apresentar dificuldades de processamento se contaminado por estirênicos de baixa resistência mecânica, como o PS. Aceita bem as poliolefinas, em especial o PE, formando a blenda popularmente conhecida como “polinylon”.

Como contaminante: estraga a maioria dos termoplásticos devido a seu alto ponto de fusão.

   
   
 
 

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Artigo postado em 27/02/2011

Sobre o autor:
Daniel Tietz Roda é Tecnólogo em Produção de Plásticos formado pela FATEC/ZL e Técnico em Projetos de Mecânica pela ETEC Aprígio Gonzaga. Trabalha na área de assistência técnica e desenvolvimento de plásticos desde 2008 e atualmente coordena o depto. técnico da Ambiental Recicladora.

   
   
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