Ao contrário da mentira, o plástico é reciclável

Uma das melhores coisas que o meu pai me ensinou e a vida me confirmou tem a ver com a noção de que neste Mundo não há verdades absolutas

06/03/2019



(Texto de Manuel Serrão publicado no JN de Portugal)

Este ensinamento, julgo que foi e é o principal responsável pelo espírito crítico (e de crítica) que me dizem fazer parte do meu modo de estar e de ser. Em boa verdade, esta quase certeza que eu tenho de não existirem verdades absolutas tem-me trazido alguns dissabores aqui e acolá, mas em muito maior grau tem-me permitido evitar equívocos e fintar muitos senhores supostamente donos dessas verdades absolutas.


Esta recusa em aceitar sem qualquer dúvida ou verificação muitas das "leis" que me tentam impingir no dia a dia, é válida para "verdades" que aparecem com o selo de muita antiguidade, mas é especialmente válida, para as novas "leis", que são esgrimidas com a chancela do consenso ou de serem moda. A coisa ainda se agrava quando estas tais novas verdades me aparecem sufragadas pelo universo das redes sociais. Quase sempre filhas de gente que não se apresenta nem se assina, invocando conhecimentos de que ninguém consegue conhecer o rasto. Ou quando assinam, percebo eu agora que assassinam a verdade por pura ignorância.

Neste raciocínio entra agora a nova moda de considerar o plástico uma das maiores ameaças atuais da Humanidade e do Mundo em geral. A moda hoje é ser contra o plástico, qualquer plástico, sem cuidar de saber se todos os plásticos são iguais e sem a mínima preocupação de perceber primeiro porque é que o plástico apareceu e teve sucesso e depois o que é que o mundo dos plásticos tem a dizer perante as acusações e as campanhas absolutamente difamatórias de que tem sido alvo um pouco por todo o lado. Enquanto consumidor, devo dizer que nunca me senti minimamente atraído pelo plástico e há mesmo casos em que, quando pude, sempre o rejeitei. Dou exemplos: sempre que posso bebo café numa chávena de porcelana ou vidro; detesto beber um fino num copo que não seja também o adequado, ou seja, de vidro; no caso do vinho de que sou especial apreciador, então a coisa ainda é mais urgente.

Há alguns dias aceitei um desafio para ir conhecer os argumentos de muitos fabricantes de vários setores dos plásticos, tendo comparecido num almoço no Montebelo Vista Alegre, onde assisti à apresentação de vários argumentos contra os mitos urbanos do plástico inimigo do Mundo e fiquei a saber muitas das verdades que têm sido afastadas da discussão pública deste problema. Nesse dia, lembrei-me uma vez mais dos ensinamentos do meu pai e dei graças a Deus por ter a capacidade de estar sempre disponível e atento para corrigir informações falsas ou deficientes que contribuem para a formação de ideias erradas sobre o mundo que me rodeia. Saí de Ílhavo com a consciência segura de que o plástico levanta problemas ambientais, como é evidente, mas também com a certeza, essa sim absoluta, que por um lado não são o plástico nem os seus fabricantes e consumidores europeus os maiores inimigo do ambiente e por outro, aqueles que têm alinhado incondicionalmente ao lado da guerra contra o plástico desconhecem ingénua ou vergonhosamente os problemas que podem causar ao ambiente as alternativas que propõem, em alguns casos até bem mais graves. Como disse na altura, fiquei com muita vontade de ajudar o setor, mas sobretudo os portugueses a terem uma maior e melhor informação sobre aquilo em que o universo do plástico tem de melhorar e isso é sobretudo na chamada recolha final do produto plastificado, mas também no esclarecimento que é urgente das muitas falácias e mentiras que os inimigos comerciais do produto plástico têm vindo a disseminar por esse mundo fora sem qualquer respeito pela verdade factual.

Se ainda há poucas semanas, aqui manifestei a ideia de que as "fake news" são um dos problemas atuais da nossa sociedade, pelo que já me foi dado saber, posso garantir-vos que "fake news" sobre os malefícios do plástico é o que mais existe por aí. Como ouvi, ninguém pode ficar indiferente às fotografias que mostram os oceanos cheios de plástico a boiar, mas a verdade é que se alguém for capaz de recolher esse plástico ele pode ser reciclado com grandes vantagens e, para dar só um exemplo, nenhum do papel que foi deitado ao mar pode ser alguma vez reciclado ou reutilizado.

Fonte: JN (06/03/2019)




Canudinho é matéria-prima

'Precisamos pensar nas responsabilidades que esta proibição (canudinho) implica', diz Simara



(Texto de Simara, Coordenadora do programa Tampinha Legal e da ação Canudinho Legal)

Enquanto alguns decidem pela proibição do canudinho plástico como um bode expiatório da poluição, o programa Tampinha Legal decide pela reciclagem deste material. Através da ação Canudinho Legal, entidades assistenciais cadastradas poderão transformar a destinação correta deste resíduo plástico em recursos financeiros para suprir parte de suas necessidades, como acontece com o recolhimento de tampinhas, que já destinou mais de R$ 250 mil às entidades.

Propaga-se a informação de que alguns itens plásticos são descartáveis, tais como talheres, copos e canudinhos. Todo e qualquer resíduo plástico é 100% reciclável, portanto é matéria-prima, devendo retornar para a indústria fomentando a Economia Circular. Destinarmos os resíduos domésticos para cooperativas de reciclagem, devidamente separados, é uma questão de dignidade.


Precisamos pensar, antes de extinguir o canudinho plástico, nas responsabilidades que esta proibição implica. Pessoas com deficiências múltiplas, vítimas de AVC ou pós-operadas dependem dele para sua alimentação diária, pois materiais alternativos podem causar lesões em quem os utiliza. E quem daria uma latinha de bebida para uma criança consumir diretamente? Não podemos desconsiderar os riscos de contaminação devido à falta de higiene na manipulação dessas embalagens.

A proibição, seja ela como for, não é educativa. Quando impedimos a utilização do canudinho não conscientizamos sobre sua importância, apenas o culpamos pela falta de civilidade de quem descarta equivocadamente o que produziu. A natureza absorve ou consome seus próprios resíduos. É neste modelo que a humanidade deve se enquadrar. Precisamos mudar o comportamento da população, assumir nossa responsabilidade e minimizar os impactos ambientais da nossa existência neste planeta.

Fonte: Jornal do Comércio (11/03/2019)


© 2010-2019 - Tudo sobre Plásticos. Todos os direitos reservados.
Página inicial - Política de privacidade - Contato


TSP Messenger Minimizar  Aumentar
Para usar faça LOGIN ou CADASTRE-SE
Digite aqui: Enviar