Masterbatches e Pigmentos Os plásticos em suas formas naturais podem ser transparentes, brancos ou amarelados; porém, é óbvio que o mercado necessite de peças coloridas, o que é inviável ser feito a mão e faz surgir a necessidade de se modificar o plástico a fim de se obter tais cores.

Mas ao contrário do que parece, a coloração de plásticos não é tão simples assim, pois é necessário se levar em conta o tipo de resina, o meio em que a peça será aplicada, a temperatura de processamento e a toxidade do pigmento.


Qual a diferença entre Master e Pigmento?

Antes de mais nada, é preciso explicar a diferença entre masterbatch e pigmento:

Masterbatch: é o concentrado de cor na fórmula de grânulos, ou seja, um veículo polimérico (pode ser PE, EVA e etc) com grande quantidade de colorante incorporado, sendo esse colorante geralmente um pigmento em pó. Também pode conter aditivos que vão facilitar o processamento, conferir propriedades como retardância de chama, anti-UV e etc.

Produção de Masterbatch


Deu para notar que a produção de master não é tão simples, não é mesmo? É preciso saber inicialmente qual será a aplicação do produto final para definir quais colorantes serão usados, qual veículo será empregado (geralmente o mesmo do polímero a ser colorido, senão EVA ou PE), é necessário pesar e misturar corretamente a formulação para que não ocorra diferença na tonalidade e finalmente extrudar a mistura.

O master possui a vantagem de "não fazer sujeira", bastando homogenizar seus grânulos com o material que se deseja colorir, sendo a proporção utilizada de master, em média, de 2%.

Pigmento: geralmente se encontram na forma de pó e são mais utilizados no processo de extrusão para a produção de material granulado, inclusive para a própria produção de masterbatch de cor. Tem a desvantagem de deixar seu rastro de pó por onde passa, gerando perda de tempo na limpeza dos equipamentos. Mas tem a vantagem de ser mais barato que o master, que nada mais é que o pigmento beneficiado.

Produção de Pigmento em Pó


Os pigmentos podem ser orgânicos ou inorgânicos, sendo que cada um tem também suas vantagens e desvantagens.

Qual a diferença entre pigmento orgânico e inorgânico?

Orgânicos: fornecem uma cor com alto brilho e boa transparência, se for o caso. Têm alto poder tintorial mas não são resistêntes à luz e ao calor como os inorgânicos, o que limita seu uso em peças que trabalham em temperaturas elevadas (ou materiais que são processados em temperaturas elevadas), geralmente são usados em peças que entram em contato com alimentos ou com produtos farmaceuticos, por serem atóxicos.

Inorgânicos: fornecem uma cor mais opaca e menor poder tintorial, mas têm melhor resistência à luz e ao calor. São constituídos basicamente de óxidos, óxidos mistos, sulfetos de cádmio, carbonatos, cromatos, sais complexos, etc. Ou seja, alguns tipos tem um certo nível de toxidade. Apesar disso, ainda são mais usados do que os orgânicos por serem mais baratos e suportarem mais as altas temperaturas encontradas no processamento dos plásticos.

Posso usar master com base de PE em Nylon?

Pode usar master de PE em nylons, polipropileno e poliacetal sem problemas, já usei também com ABS porém não recomendo devido a incompatibilidade dos dois polímeros e que pode fazer a peça descascar e perder propriedades mecânicas. Nesse caso o ideal seria um master com base em PS.

Por que é tão difícil de se manter um padrão de cor de lote a lote com material reciclado?

Simples, porque o reciclado vem de diversas origens e com diversas cores. Se você é transformador, não pense que o fabricante de matéria-prima produziu um nylon preto, por exemplo, apenas com materiais pretos. Com certeza ele deve ter colocado na mistura peças moídas azuis, amarelas, verdes e às vezes até brancas.

O que ocorre é que essa mistura de cores modifica a tonalidade do produto final, o que é menos perceptível na cor preta mas muito perceptível nas cores claras, isso faz com que muitos fabricantes de matéria-prima desistam de trabalhar na produção de coloridos enquanto outros tentam contornar esse problema com um controle mais rigoroso de cor com o uso de um espectofotômetro ou colorímetro, aparelho que mede a intensidade de cada cor convertendo isso em gráficos e valores númericos.



Bibliografia:
HARPER, Charles A.; PETRIE, Edward M. Plastics Materials and Process: A Concise Encyclopedia. Hoboken: John Wiley & Sons, Inc., 2003.
CANEVAROLO JR., Sebastião V. Ciência dos Polímeros: Um texto básico para tecnólogos e engenheiros. 2.ed. São Paulo: Artliber Editora, 2002.
WIEBECK, Hélio; HARADA, Júlio. Plásticos de Engenharia: Tecnologia e Aplicações. São Paulo: Artliber Editora, 2005.

Artigo postado em 25/12/2010
Sobre o autor: Daniel Tietz Roda é Tecnólogo em Produção de Plásticos formado pela FATEC/ZL e Técnico em Projetos de Mecânica pela ETEC Aprígio Gonzaga. Trabalhou na área de assistência técnica e desenvolvimento de plásticos de 2008 até 2013 e atualmente é proprietário do Tudo sobre Plásticos.
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